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Conheça o confinamento brasileiro que é exemplo de sustentabilidade para o mundo inteiro

Foto: Arquivo pessoal

Nem sempre a tradição é uma barreira para inovar. Esse é o caso do Confinamento Monte Alegre, localizado em Barretos (SP) e gerido pelo médico veterinário André Perrone Reis. Seguindo os passos de seus avós que já atuavam no agronegócio, trouxe o conhecimento que adquiriu durante um período estudando nos Estados Unidos para o agronegócio brasileiro e fez da sua produção de bovinos de corte um exemplo a ser seguido no mundo todo. Seu confinamento é um dos projetos indicados para a Premiação Planet of Plenty, organizada pela Alltech em âmbito global. Confira a seguir um pouco mais sobre essa história:

Alltech: Como funciona o Confinamento Monte Alegre?

André Perrone Reis: Desde 1949, meu avô já atuava na agricultura e com o tempo começamos a criar bovinos de corte em um modelo de confinamento. Então, ao retornar de estudos no exterior no final da década de 90, comecei a dar um tratamento mais profissional ao confinamento, trabalhando para a sua expansão. Devido ao nosso trabalho diferenciado, começamos a ser procurados por outros pecuaristas da região, uma vez que a ideia do boitel (hotel para bois) começou a se disseminar, como uma unidade compartilhada. Hoje estamos com uma capacidade estática para 16 mil cabeças e, no projeto como um todo, abatemos 38 mil cabeças em 2019. Nós investimos também em softwares de gestão integrada (ERP) onde a produção é acompanhada diariamente com maior precisão de custos e previsibilidade de resultados, o que torna a gestão muito mais prática e estratégica.

Nossa equipe é formada por 83 profissionais, desde os que atuam na área operacional até a área administrativa, que abrange também um suporte aos pecuaristas, dando especial atendimento desde a originação dos animais até sua comercialização, incluindo opções estratégicas no mercado futuro.

Alltech: Como foi o processo de adoção de uma produção mais sustentável no seu confinamento?

André Perrone Reis: Muito antes da palavra sustentabilidade entrar em voga, nós já tínhamos uma atuação voltada às boas práticas agrícolas e pecuárias. Meu avô já falava que “o solo era a nossa riqueza e que se não cuidássemos bem dele, nossos rios e nascentes seriam impactados”. Nós também já trabalhávamos com a consciência e o cuidado necessário para o destino correto do lixo e sempre com a responsabilidade ambiental em nosso sistema de produção. Isso foi se fortalecendo gradativamente sempre na busca de um ambiente produtivo, eficiente e sustentável.

Participamos do sistema de rastreabilidade de produção pecuária desde seu início no Brasil e, em 2006, conquistamos nossa primeira certificação EurepGap (atualmente Global Gap). Esta certificação abrange os cinco princípios de sustentabilidade definidos pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura): melhorar a eficiência na utilização dos recursos; tomar medidas para preservar, proteger e melhorar os recursos naturais; a justiça e o bem-estar social nos meios rurais; implementar mecanismos de gestão responsáveis e eficazes, além de uma criação segura e sustentável dos animais, garantindo assim a segurança alimentar do produto final.

Esta certificação, além de nos trazer mais consciência e formalização destas ações necessárias, também nos trouxe uma vantagem em relação ao mercado europeu, que já bonificava os produtores que tivessem estes conceitos realmente implementados em suas propriedades agrícolas.

Nesta nossa evolução pelas melhores práticas de nossa produção, tivemos também a certificação da Aliança da Terra e em 2016 fomos um dos pioneiros no sistema de produção pecuária a ter a Certificação Rainforest Alliance que conquistamos com muito orgulho e que nos trouxe um amadurecimento maior ainda em nossas ações e práticas diárias.

As normas e exigências da certificação Rainforest Alliance são importantíssimas e podemos dizer até muitas vezes inovadoras para a sustentabilidade agropecuária mundial: apoiam o produtor na melhoria contínua da gestão da propriedade, visando também o aumento da eficiência e produtividade, cumprimento da legislação ambiental e trabalhista, conservação dos recursos naturais e na garantia de direitos e o bem-estar aos trabalhadores rurais.

A nossa experiência com a Certificação Rainforest nos trouxe também uma visão muito mais apurada de vários pontos importantes que nos provocou a implantação de várias técnicas e até mesmo novas linhas de estratégias operacionais para nosso sistema. Melhoramos ainda mais nossos critérios em relação ao uso de antibióticos, ao uso de ionófros, etc. Por exemplo, tivemos que refazer um plano de utilização de antibióticos muito mais criterioso. Com isso reforçamos nossas rotinas de utilização de vacinas, de rondas sanitárias, com os próprios diagnósticos mais consistentes, o que nos trouxe uma atuação muito mais preventiva em relação à sanidade.

Reforçamos também a utilização de materiais orgânicos e leveduras, que além de naturais, nos dão uma resposta de melhoria ao desempenho imune que se não iguais, muitas vezes superiores ao sistema de produção tradicional. Para isso, neste trabalho nutricional utilizamos os minerais orgânicos e leveduras da Alltech.

Também tivemos um aumento da utilização da compostagem em nosso sistema de produção circular. Ou seja, os dejetos dos animais (esterco) e também carcaças de animais, passam por um processo de compostagem com a utilização de microrganismos naturais, onde utilizamos o produto da Alltech Crop Science chamado Compost Aid, que acelera este processo. O material após esta etapa passa a ser um rico adubo orgânico, que é utilizado em nossas áreas agrícolas, proporcionando uma importante e rica fertilização orgânica do solo. A área agrícola, por sua vez produzirá alimentos cujos subprodutos (não utilizados para alimentação humana), por exemplo bagaço de laranja, coprodutos oriundos do processamento da cana-de-açúcar, soja e milho, que serão utilizados para alimentação do gado, compondo um ciclo produtivo e sustentável entre as nossas áreas agrícolas e pecuária.

Alltech: Vocês também desenvolvem projetos sociais?

André Perrone Reis: Buscamos estar bem próximos da nossa comunidade, até porque esta é uma troca muito saudável. Temos há muitos anos um projeto de trazer os filhos dos colaboradores para conhecer a propriedade, mostrando a importância da preservação do meio ambiente e de nossas nascentes. Todos os anos eles plantam árvores nas nossas áreas de reflorestamento.

Atuamos também junto às escolas da região, para trazer as crianças para conhecer o projeto de confinamento, seja em datas comemorativas como Dia do Meio Ambiente e Dia da Árvore, por exemplo, seja em agendas alinhadas com eles. Durante essas visitas, crianças e jovens têm a oportunidade de verem na prática as ações sustentáveis acontecendo no modelo de produção da CMA. Montamos inclusive uma cartilha para receber as crianças, assim elas podem conhecer melhor a importância do agronegócio para todos e aproveitamos para destacar sempre a importância que as ações e práticas sustentáveis podem ser adotadas em todas as áreas de nossa vida: em casa, no bairro, nas escolas, nas cidades, no campo. Nós aproveitamos esse momento para provocar as crianças e os jovens a trazerem novas ideias para o mundo. No final destas visitas, eles recebem também uma medalha, certificando que são Amigos da Natureza e por isso são agentes transformadores do mundo onde quer que estiverem!

Temos também um trabalho com uma escola de equoterapia em nossa comunidade, em conjunto com a Prefeitura de Barretos, onde doamos cavalos mais idosos que são mansos e necessários para este belo trabalho desenvolvido por eles.

Somos parceiros também de algumas entidades da região e há vários anos também, com muito orgulho da Fundação Abrinq. Outra parceria de muito orgulho é com o Hospital de Câncer de Barretos, onde fazemos a doação mensal de R$ 1,00 por boi comercializado pela CMA – “Boi Solidário”, que agora entrou para um projeto maior do hospital chamado “Agro contra o câncer.”

Acreditamos, sem demagogia nenhuma que tudo o que podemos fazer pela comunidade, sem dúvida, direta ou indiretamente também nos beneficia, faz parte de um ciclo onde todos, cada um de sua maneira, têm responsabilidade de contribuir!

Alltech: Como você transforma esse custo a mais com produção sustentável em algo vantajoso para o seu negócio?

André Perrone Reis: Temos algumas vantagens, além da obrigação ambiental e social que deve ser de todos atualmente. Em termos monetários, ainda não é diretamente proporcional aos investimentos e melhorias feitas. Mas, sem dúvida, não é apenas a conta do reconhecimento financeiro direto puramente que devemos fazer.

 

A primeira vantagem é evoluirmos como cidadãos do mundo, cuja sustentabilidade do planeta está em nossas mãos, e com essa evolução de nosso mundo, as vantagens são: a nossa maior credibilidade no setor, a maior segurança que transmitimos aos clientes, as oportunidades de parcerias que surgem até mesmo as instituições financeiras, que já começam a analisar as práticas sustentáveis em análises do nosso negócio. Além destes valores agregados que mencionei, temos um aumento incrível da valorização dos próprios colaboradores que têm um orgulho maior ainda em fazer parte de um projeto realmente sustentável. Eu mesmo, como gestor maior e proprietário, que muitas vezes sou chamado para demonstrar outros pontos do nosso negócio, como nossos resultados, inovações, produtividade, etc. me sinto imensamente orgulhoso quando posso compartilhar, como agora, este outro lado do nosso trabalho e desta nossa real evolução diária atuando pela sustentabilidade ambiental, social e econômica da nossa sociedade.

Confira alguns vídeos sobre o Confinamento Monte Alegre:


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