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Conheça o Sistema de Recirculação em Aquicultura (Sistema RAS)

Conheça o Sistema de Recirculação em Aquacultura (Sistema RAS)

Peixes e camarões podem ser criados em sistemas com recirculação e tratamento de água, denominados pela sigla RAS, em inglês. Nos sistemas RAS o uso de água e o descarte de efluentes são minimizados, proporcionando redução de custos para o produtor e uma gestão mais sustentável da produção.

Como funciona o sistema RAS?

A água do sistema passa por processos de tratamento físico e biológico e é continuamente reciclada. Em geral, menos de 3% do volume de água do sistema é reposto diariamente. A biomassa (peso médio x número de peixes) sustentada nos RAS pode variar desde 50 a 150 kg/m3, comparado a menos de 10 kg/m3 em outros sistemas de cultivo onde geralmente são renovados 5 a 30% do volume de água diariamente.

 

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Quais são os benefícios do sistema RAS?

  1. Produção em áreas pequenas

O baixo uso de água, o controle total dos efluentes e a pouca área requerida são particularidades que permitem que o RAS seja construído em locais onde não seria possível uma aquacultura convencional (em tanques escavados e açudes). Isso ainda possibilita que a produção possa ser instalada próxima a potenciais mercados consumidores. Por ser um sistema compacto, pode ser instalado em estruturas já disponíveis nas propriedades rurais (por exemplo, uma granja desativada) ou em áreas urbanas (galpões, barracões, prédios antigos, estacionamentos, etc).

  1. Controle das condições ambientais

Outra vantagem do RAS é a possibilidade do controle total das condições ambientais, particularmente a temperatura e salinidade da água. Isso permite, por exemplo, o cultivo de espécies tropicais em regiões de clima temperado, ou mesmo de espécies marinhas em áreas afastadas do litoral, como exemplo o camarão L. vannamei.

  1. Controle de predadores

No RAS há um controle total de predadores, visto que é um sistema completamente fechado e protegido, sem possibilidade de acesso de aves, morcegos e outros animais.

Como instalar o sistema RAS?

O sistema RAS requer alto investimento, uma vez que opera com altas densidades de carga e depende de energia em tempo integral. Dessa forma, quatro condições são básicas para a segurança e sucesso do RAS:

  • 1) Design e dimensionamento adequados dos componentes do sistema (Fig. 1);
  • 2) Sistemas de segurança e backup de energia (geradores);
  • 3) Profissionais altamente qualificados;
  • 4) Foco no cultivo de espécies com alto valor de mercado e margem de lucro.

Conforme observado na figura abaixo, os peixes geralmente são mantidos em tanques circulares com drenos centrais, que possibilitam a remoção de grande parte dos resíduos sólidos (em sua maior parte fezes) com um pequeno volume de água. As fezes são direcionadas a um decantador para posterior remoção do sistema. A maior parte do fluxo de água dos tanques passa por um filtro mecânico para a remoção de sólidos. Do filtro mecânico a água pode passar por um fracionador de espuma ou “skimmer” (componente opcional) e pelo filtro biológico. Do filtro biológico a água é recebida em um reservatório, onde será aerada para restaurar os níveis de oxigênio. Essa última etapa precede o  retorno de água a ser bombeada de volta aos tanques de cultivo, fechando assim a recirculação. No retorno aos tanques dos peixes, a água pode ser tratada com ozônio ou luz ultravioleta (para controle de patógenos) e receber a incorporação de oxigênio na forma de gás (oxigenação).

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Fig 1. Esquema representativo dos componentes dos SRA (Kubitza, F. 2014)

O RAS também pode ser combinado com sistemas de hidroponia para a produção de plantas (frutas, legumes, hortaliças e flores, por exemplo). Essa combinação é chamada de “Aquaponia”. Os nutrientes gerados nos tanques de peixes ficam dissolvidos na água e são aproveitados pelos vegetais. As plantas e suas raízes fazem a função do filtro biológico do RAS. Dessa forma, peixes e plantas se beneficiam mutuamente.

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Figura 2. RAS combinados com a produção de plantas – Aquaponia (Kubitza, F.)

Autor:

Fernando Kubitza
Engenheiro Agrônomo formado na ESALQ-USP, Mestre em Nutrição Animal pela mesma instituição e Doutor em Aquicultura pela Auburn University, Alabama, Estados Unidos. Foi professor e pesquisador do Departamento de Zootecnia da ESALQ-USP. Considerado um dos principais nutricionistas de peixes do país, é consultor de empresas fabricantes de rações para peixes na elaboração das primeiras linhas completas de ração para peixes carnívoros e para os cultivos intensivos de tilápia no Brasil.

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