Skip to main content

Bovinos de leite: saiba como reduzir os níveis de estresse e melhorar a eficiência de utilização da glicose com a suplementação de cromo

Vacas no comedouro

Nos demais artigos que publicamos anteriormente, conversamos sobre a importância dos microminerais para melhoria da produção, imunidade e reprodução de vacas leiteiras. Quando falamos de microminerais como cobalto, cobre, ferro, iodo, manganês, selênio e zinco, já existem vários estudos que comprovam sua necessidade para os animais. Isso ocorre porque, quando retirados da dieta, os animais apresentam sintomas relacionados à deficiência. Mas e o cromo, que até então não era considerado na suplementação mineral, poderia ele trazer algum benefício se adicionado a dieta dos animais?

O recente interesse da adição de cromo nas dietas de ruminantes se deu inicialmente por dois motivos: por ser capaz de reduzir os níveis circulantes de cortisol (comumente conhecido como hormônio do estresse) e por atuar no fator de tolerância à glicose, uma vez que o cromo auxilia na ação da insulina. A maior tolerância aos níveis de glicose acaba influenciando no metabolismo de lipídeos, o que se torna bastante interessante para vacas em período de transição. Isso porque o metabolismo lipídico é controlado também pelos níveis de insulina, fazendo com que as vacas em período de transição mobilizem (com a maior assimilação da glicose) menores quantidades de gordura corporal. Fato este que é de grande relevância nesta fase do ciclo lactacional devido aos possíveis problemas envolvendo o excesso de corpos cetônicos sendo metabolizados no fígado das vacas. Além disso, é importante ressaltar que o fato de tornar o animal mais eficiente na utilização da glicose, é muito importante para os incrementos de produtividade.

No caso do cortisol, é importante relembrar que o mesmo está associado também a uma redução do sistema imunológico, já que a atividade fagocitária e bactericida dos neutrófilos fica comprometida quando o nível de cortisol no sangue está elevado. Falar em ambiente estressante para vacas de leite é algo que acaba sendo recorrente pelo fato de as mesmas gostarem muito de uma rotina diária. O ideal seria que não precisássemos mudá-las de lote, de dieta, de rotina e que o clima não mudasse também. Morando no Brasil, sabemos que as condições climáticas do Rio Grande do Sul ao Ceará são propícias para causar estresse térmico. É bem por isso que temos visto vários produtores investindo pesado na melhoria das instalações para garantir melhor condição aos animais. É nessa hora que o cromo aparece como uma alternativa para minimizar todos esses efeitos de estresse.

O fornecimento de cromo no entanto, precisa ser bem avaliado, pois de nada adianta fornecermos a forma inorgânica (óxido crômico). Isso acontece porque o coeficiente de absorção é muito baixo, sendo inclusive utilizado como marcador de digestibilidade em experimentos. Qual é a alternativa então? Devemos buscar uma fonte com maior biodisponibilidade, como o cromo-levedura, na forma orgânica, para buscar os benefícios desejados. Uma vez absorvido, sim, ele poderá desempenhar melhor o que conversamos anteriormente. Vamos a um exemplo:

Em 2004, Al-Saiady e colaboradores publicaram um artigo sobre um trabalho conduzido com vacas de leite em condições de estresse térmico na Arábia Saudita. Foram utilizadas 160 vacas multíparas, da raça holandesa, com um número médio de dias em lactação entre 120 – 130. As vacas foram divididas em dois grupos, sendo que um recebeu 4 mg de cromo-levedura (BioChrome) e o outro não. Os animais ficaram numa condição ambiental, na qual o Índice de Temperatura e Umidade (ITU) ficou em 78,6 unidades. Ou seja, os animais estavam sofrendo com estresse térmico.

Efeito da suplementação de cromo orgânico no desempenho de vacas holandesas e ingestão alimentar

 

Controle

Cromo

Produção de leite (kg) 

29,87 ± 0,76 a

33,24 ± 0,58 b 

Ingestão alimentar (kg)

19,56 ± 0,3 a

21,24 ± 0,28 b 

Este trabalho mostrou como o BioChrome pode ajudar as vacas a aumentar o consumo de matéria seca e, por consequência, a produção de leite em mais de 3 litros/vaca/dia. Com base em estudos como este, conseguimos observar claramente que com a nutrição mineral apropriada podemos fornecer muito mais saúde e produtividade aos animais. Neste contexto, o cromo-orgânico possui um papel fundamental para formularmos as dietas das nossas vacas. Seja pensando em melhora do metabolismo de lipídeos, do sistema imune, da resistência ao estresse ou do aumento da produção de leite, ele é um aliado que o produtor sempre deve considerar.


Dúvidas ou comentários? Entre em contato conosco: