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Aquicultura: Fertilização orgânica em viveiros de camarão

Aquicultura: Fertilização orgânica em viveiros de camarão

A Alltech realizou nos dias 17 e 19 de julho de 2018 palestras nas unidades do Instituto Federal do Ceará em Aracati e Aracaú, com o tema “Atualização em manejo, nutrição e controle de qualidade na carcinicultura”. Um dos palestrantes foi Fernando Kubitza, consultor e Doutor em Aquicultura (Auburn University – EUA), que tirou algumas dúvidas sobre a utilização de fertilização orgânica em viveiros de camarão, que é uma das alternativas para o produtor manter o cultivo com melhor nutrição, mantendo ainda a qualidade da água.

1) Qual é a diferença entre a fertilização orgânica e a convencional?

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Os viveiros de cultivo de peixes e camarões podem ser fertilizados com adubos orgânicos e/ou químicos. Dentre os adubos orgânicos, a preferência deve ser pelo uso de farelos vegetais. O farelo de arroz possui características físicas e composição em nutrientes que o diferencia dos demais farelos e adubos orgânicos usados. Daí a recomendação do seu uso na adubação de viveiros de camarões. Dentre os fertilizantes químicos, destacamos a ureia e o nitrato de cálcio, que são fontes de nitrogênio, que é um nutriente limitante ao desenvolvimento das microalgas (fitoplâncton).

2) Como a fertilização orgânica auxilia na sobrevivência e equilíbrio no viveiro?

A aplicação combinada de farelo de  arroz e adubos com nitrogênio (uréia ou nitrato de cálcio) estimula um aumento na produção de organismos naturais que servem de alimento aos camarões. Entre esses organismos destacamos as microalgas (fitoplâncton), especialmente as algas verdes (clorofíceas) e as algas diatomáceas (bacilariofitas). Essa microalgas servem de alimento direto aos camarões e também sustentam outros organismos do alimento natural (como os rotíferos, microcrustáceos copépodos e cladóceros, ostracodas, veres oligoquetas e larvas aquáticas de diversos insetos). A aplicação de nitrogênio estimula o desenvolvimento das microalgas. As microalgas ainda produzem oxigênio e removem a amônia excretada pelos animais ou gerada na decomposição de resíduos orgânicos durante o cultivo. Aplicações de farelo de arroz estimulam o desenvolvimento de bactérias e protozoários, além de prover partículas de alimento que, como as microalgas, também servem de alimento direto aos microcrustáceos, vermes oligoquetas e outros organismos que serão consumidos pelos camarões. Essa partículas de alimento são as próprias partículas de farelo de arroz enriquecidas com proteínas microbianas e outros nutrientes que podem ser adicionados ao farelo durante seu preparo para a aplicação nos viveiros. Além de servir como alimento aos camarões, os microcrustáceos controlam o excessivo desenvolvimento de microalgas (fitoplâncton). Dessa forma há menos oscilações nas concentrações de oxigênio e pH na água dos viveiros entre o dia e a noite, deixando mais estável a qualidade da água. As aplicações de farelo ainda estimulam um aumento na população  de bactérias benéficas nos viveiros. Essas bactérias auxiliam da decomposição dos resíduos orgânicos e competem com potenciais bactérias patogênicas (vibrios) que estão associadas às enfermidades nos camarões.

3) Quais são os benefícios da fertilização orgânica no viveiro?

Melhora a nutrição e saúde dos camarões, bem como a qualidade da água, reduzindo a ocorrência de enfermidades. Com crescimento mais rápido e melhor sobrevivência, é possível alcançar uma maior produtividade de camarões nos viveiros, com um uso otimizado de ração. Em condições de baixas densidades de estocagem (5 a 10 camarões por m2) praticamente nem há necessidade de uso de ração se for seguido um protocolo eficiente de aplicação de farelos e nitrogênio. Isso ajuda a reduzir consideravelmente o custo de produção. 

4) Como vou saber se a fertilização orgânica pode ser benéfica para o meu viveiro?

Monitorando a qualidade da água e do solo do fundo do viveiro, além de acompanhar o desenvolvimento dos camarões por meio de biometrias e observação dos animais.

5) Qual é a sua opinião a respeito da utilização de enzimas junto ao farelo de arroz fermentado?

Durante o processo de preparação do farelo (dissolução do farelo em água por um período de 24 horas ou mais, de acordo com o protocolo usado pelos produtores), podem ser adicionadas enzimas que auxiliam na quebra de componentes mais complexos presentes no farelo de arroz (fibras, proteínas, gorduras e óleos, carboidratos e o fitato), disponibilizando mais nutrientes dos farelos para as bactérias e para os microcrustáceos, aumentando assim o valor nutritivo desses microcrustáceos e das partículas de farelo da arroz para os camarões. Os produtores também costumam adicionar probióticos (bactérias benéficas) ao farelo durante esse processo de dissolução prévia. Essas bactérias serão consumidas pelos microcrustáceos ou ficarão aderidas às partículas de farelo de arroz em suspensão na água dos viveiros. Essas partículas e microcrustáceos consumidos pelos camarões servirão de veículo para que essas bactérias se instalem no intestino dos camarões, melhorando a qualidade da microflora intestinal dos animais. Essas bactérias benéficas competem com bactérias potencialmente patogênicas presentes no intestino dos camarões. Isso além de reduzir o risco de enfermidades, possibilita uma melhor aproveitamento dos nutrientes ingeridos via alimentos naturais ou via ração.

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